Uma pessoa nasce má ou torna-se má?

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Na semana passada fui surpreendido por um daqueles filmes que você não espera muita coisa. Abri meu Netflix e comecei a navegar na lista de filmes que tenho marcados para assistir.

Há mais ou menos uns cem filmes na minha fila. Alguns adicionei por conta dos atores envolvidos. Outros por conta dos diretores. E outras tantas vezes, por indicações de amigos, podcasts e afins.

Nesse dia, o próximo da fila era “Precisamos Falar Sobre o Kevin” (We need to talk about Kevin – 2011), escrito e dirigido por Lynne Ramsay. Estrelado por Tilda Swinton – aqui inspiradíssima, representando uma mãe sem grandes habilidades maternas – e John C. Reilly, representando um pai despreocupado até demais, o longa conta a história de um casal em conflito com o próprio filho.

O filme coloca em questão uma discussão bastante polêmica e, até hoje, sem resposta:

UMA PESSOA NASCE MÁ OU TORNA-SE MÁ?

O que vemos aqui é um casal bastante comum, que tem um filho e vive de maneira tradicional. Os conflitos começam a surgir quando a mãe começa a ter que lidar com o filho, ainda nos primeiros meses. O bebê, sempre que está com a mãe, não para de chorar, levando constantemente a mãe ao desespero.

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O tempo passa e, já aproximadamente com sete anos de idade, a criança começa a provocar a mãe de todas as formas possíveis. Desde provocações verbais a destruição de pinturas que a mãe fazia no próprio quarto. Em meio a tudo isso, quando o pai aparece, a criança passa a agir de forma quase angelical, meio que querendo deixar claro que está debochando, enfatizando a incapacidade da mãe de lidar com ele.

Com o passar do tempo, a criança cresce e tudo se complica ainda mais, pois torna-se adolescente. A partir daí, as provocações crescem de maneira exponencial, levando a mãe a situações extremas. O ato final foca na “evolução” do personagem, que segue cada vez mais em rota de colisão consigo mesmo.

Tecnicamente, o filme lembra em vários momentos o método de filmagem encarnado pelo mestre do Surrealismo, David Lynch. Prevalecem takes fechados no rosto dos personagens, enfatizando suas expressões sempre que estão atravessando situações tensas, principalmente no primeiro ato.

A narrativa segue de forma não convencional, optando por flashbacks e flashfowards e, em muitos momentos, a trilha sonora e toda a montagem do longa o farão desconfiar dos personagens, principalmente no último ato.

Uma pessoa nasce má ou torna-se má?

O filme não ira responder a questão, mas certamente te fará querer discutir muito sobre o tema.


Rodrigo Cunha96 Posts

Publicitário, geek, louco por cinema, música, games, livros e boas idéias nas horas vagas e não vagas. Tem medo de fazer compras em NY e beber num PUB de Londres e nunca mais voltar.

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