Gravidade [ANÁLISE]

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Nesse final de semana, assisti Gravity com minha esposa, no Cinemark do Shopping Pátio Higienópolis. Assistimos ao filme em uma sala bem compacta, preenchida por um público bastante maduro, ou seja, ninguém mexendo no celular e quase nenhuma conversa paralela.

Infelizmente não conseguimos comprar ingresso a tempo para uma sala IMAX, mas já valeu a pena assistir em 3D, que possui excelente qualidade e é muito bem contextualizado durante todo o filme.

Gravity conta a história de dois astronautas que, logo após um evento que resulta em um acidente em uma estação espacial de reparo, ficam a deriva vagando no espaço, com o oxigênio bastante limitado.

Apesar de a narrativa estar bastante focada na superação desses momentos e da sobrevivência no espaço, levando a uma reflexão inevitável sobre a vida em si, o filme brilha mesmo quanto alinhamos todos os elementos, que entregam uma experiência incrível, especialmente no cinema.

Gravity é aquele tipo de filme que te faz pensar sobre desconexão. Afinal, no espaço, ninguém pode te incomodar, ninguém pode te interromper. Há segurança, ninguém vai te roubar e caso você tenha recursos suficientes, no espaço você viverá em plena harmonia.

É completamente o oposto do mundo que estamos tendo a experiência de viver atualmente, onde a tecnologia, ao mesmo tempo que une pessoas distantes, separa aqueles que estão mais próximos. O excesso de comunicação e informação tem trazido benefícios bastante questionáveis. Durante a projeção de Gravity, é possível sentir um certo alívio, pois poucos filmes irão te causar tamanha imersão e até uma certa leveza, por conta da contemplação dos dois personagens se deslocando sem gravidade.

Por poucas vezes me senti tão “dentro” de um filme e tão “desligado” do mundo em que vivemos. Durante toda a projeção, o filme vai fazer com que sentimentos como alívio, leveza e tensão duelem entre si, dentro de você. Nada ali é definitivo.

GRAVITY

Porém, fica claro que o ser humano não sobrevive sozinho e necessita de ligações sociais e interação com o meio que está acostumado a viver. Ele precisa enfrentar a vida, e não fugir dela. Ao final da projeção, o filme traz consigo um certo alívio, um sentimento que reforça a necessidade de voltar para o mundo real.

É algo complexo de ser explicado, mas compreendido quando você passa pela experiência. É provável que você até sinta uma “falta de ar psicológica” em alguns momentos, tamanha imersão. Curiosamente, eu me senti mais “seguro” por estar “novamente” em terra firme, poiss a sensação que o filme transmite é de você realmente estar flutuando É algo bastante próximo aquela sensação que você sente quando o avião que você está viajando, finalmente pousa.

Vale destacar também que grande parte do climão gerado por Gravity não seria possível sem a excelente trilha sonora de Steven Price, que tem no currículo trabalhos junto a equipe de Batman Begins e a trilogia Senhor dos Anéis. Ela consegue transmitir tensão já nos primeiros minutos do longa e emoção e tranquilidade momentos depois, oscilando durante todo o filme, colaborando bastante para preencher o vazio do espaço.

Eu diria que a trilha sonora é bastante diferente do que você está acostumado a ouvir em produções Hollywoodianas. O próprio Steven já vinha enfatizando que a trilha seria grande protagonista do filme, durante a sua produção.

Também brilhantes são as atuações de Sandra Bullock e George Clooney. Ambos figuram dois opostos muito interessantes de observar: ela, um personagem amargurado e sem grandes esperanças e expectativas na vida, o que a torna uma pessoa bastante insegura e ele um homem já realizado e leve, certo de que tem o total controle da situação.

Para Clooney, fica bastante claro que a vida é uma passagem e o lema é curtir cada momento. É bastante interessante assistir a esse baile de personalidades na telona, principalmente Bullock sentindo falta da vida medíocre que levava na terra, enfatizando que nós, seres humanos, sempre valorizamos ainda mais o que perdemos.

A direção do mexicano Alfonso Cuarón, que entre outros projetos foi responsável pela direção de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, que muitos consideram ser o melhor episódio da série, nos apresenta um tipo de trabalho há muito não visto no cinema, dominado por blockbusters que seguem uma já conhecida fórmula de sucesso. Tudo no filme funciona bem e certamente Cuarón já está na lista de muita gente entre os preferidos pra levar a estatueta de diversas premiações no próximo ano, principalmente o Oscar.

Se você ainda não assistiu Gravity, o longa ainda segue em cartaz em algumas salas, porém em horário reduzido. Corra e se desconecte um pouco da “correria”. É aquele tipo de filme que vai fazer com que você fique falando e pensando sobre. Deixe-se levar por essa experiência. Só não dei cinco gravatas por considerar que o final poderia ter sido mais corajoso.

Mesmo assim, vale muito a pena flutuar no espaço de Gravity. 🙂

Nota 4


Rodrigo Cunha96 Posts

Publicitário, geek, louco por cinema, música, games, livros e boas idéias nas horas vagas e não vagas. Tem medo de fazer compras em NY e beber num PUB de Londres e nunca mais voltar.

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