Reflexões sobre a ajuda verdadeira

Ajudando o próximo

Alguns estudos nos sugerem que não existem atitudes genuinamente altruístas e que todo comportamento visa um benefício próprio (egoísmo). No ajudar o outro também existe este benefício, mesmo que seja apenas a felicidade por estar se sentindo útil, ou mostrar para o outro que você é tão capaz de se superar que consegue até mesmo ser capaz de ajudar quem não é tão capaz assim.

Não vamos focar aqui em quem realmente precisa de ajuda ou em quem não, tampouco se a ajuda é satisfatória ou não. Vamos focar na qualidade desta ajuda.

É comum escutarmos discursos afirmando que qualquer ajuda é “bem vinda” e, à partir deste discurso, abrimos margem para a ajuda mal feita, a ajuda “que não ajuda”, apenas colabora. Este é o tipo de ajuda que encontramos com mais frequência, ela serve como um auxílio mas não resolve nenhum problema, servindo também para a pessoa que está ajudando encher seu senso de responsabilidade e sentir-se útil e necessário.

Ajuda verdadeira

A verdadeira ajuda é aquele que tem algum significado real e não é feita apenas para podermos dizer que ajudamos. É preciso deixar claro que o ajudar não tem relação alguma com o sentir pena de alguém. O sentimento de “pena” é considerado um dos piores sentimentos que pode-se ter por alguém, pois com ele você estará afirmando não acreditar que este indivíduo tenha os meios necessário para encontrar soluções para seus conflitos. É uma forma de anular esta pessoa.

Vamos esclarecer a questão da verdadeira ajuda com este exemplo. Pensemos que um amigo seu vem lhe pedir ajuda, ele tem algo muito importante em relação ao trabalho dele para fazer e está com muita pressa. Ele vem a você pois sabe que você entende do assunto e lhe será útil. Pois bem, por perceber a pressa e a importância do pedido de seu amigo você prontamente se dispõe a ajudá-lo, acolhe o que ele precisa e assume a responsabilidade. Afirma que irá fazer isto para ele o quanto antes. Então você realmente faz o que seu amigo lhe pediu, entrega o que ele deveria ter feito para que ele possa entregar para o chefe dele. Podemos pensar que você é um bom amigo e que está se sentindo muito útil, afinal ajudou seu amigo. Mas será que foi uma ajuda realmente válida? Ou será que você apenas fez o trabalho do seu amigo por ele?

Veja bem, a ajuda de qualidade não é aquela que resolve um problema a curto prazo e sim aquela que resolverá este problema e os demais que poderão surgir a longo prazo. Neste exemplo a ajuda será útil apenas neste momento, mas se no futuro seu amigo precisar novamente realizar um trabalho semelhante (em curto prazo), ele terá os mesmos problemas. Portanto, quando alguém lhe pedir ajuda com algo, é interessante estudar a possibilidade de realmente ensinar esta pessoa a resolver estas questões, no lugar de resolver as questões por ela. Pensamos novamente no exemplo, se no lugar de apenas fazer o trabalho do seu amigo por ele, você ensinasse a ele os caminhos necessários para realizá-lo, poderia tomar mais tempo do que você apenas fazer, mas, com certeza, economizaria as dores de cabeças futuras referentes a estes temas. Além a ajudar seu amigo, você estaria dando suporte para ele continuar realizando seu trabalho de forma satisfatória, encontrando meios, por conta própria, de resolver os próprios problemas. Você estaria, de certa forma, dando mais liberdade e autenticidade à este seu amigo.

Portanto, quando for novamente ajudar quem lhe pedir, não faça desta ajuda apenas um meio de demonstrar que você consegue resolver os problemas. Faça desta uma oportunidade de dar a pessoa, pela qual esta lhe pedindo ajuda, uma forma de ela descobrir que também é capaz de resolver suas questões e seus problemas. Faça desta uma oportunidade para o desenvolvimento pessoal, tanto seu quanto da pessoa, que está a lhe pedir ajuda, para que no futuro ela seja alguém que irá ajudar o outro também.

Para finalizar, gostaria de relembrar um provérbio Chinês, que muitos dizem ser de Lao-Tsé, que diz tudo isso que falei por aqui:

“Se deres um peixe a um homem faminto, vais alimentá-lo por um dia. Se o ensinares a pescar, vais alimentá-lo por toda a vida.”


Leonardo Luchetta548 Posts

É psicólogo e redator de conteúdos. Escreve, reflete e pesquisa sobre os mais variados temas. Não considera a escrita como trabalho, mas uma necessidade da alma.

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