Breve reflexão sobre as ‘Bonecas do Amor’

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Você já deve ter ouvido falar sobre a “rabu doru” ou “boneca do amor”. Elas tem ganhado notoriedade nos noticiários por causa da sua “aparência real” e principalmente pelas relações entre elas e os Japoneses.

Elas são bonecas criadas para satisfazer as necessidades sexuais, contendo uma vagina penetrável e se parecendo muito com mulheres reais.

Muitos japoneses têm se “casado” com essas bonecas e afirmam ter encontrado “o amor da vida deles”, convivendo somente com elas (sem outras mulheres) ou até mesmo com parceiras e a boneca.

A situação é tão inusitada que chama a atenção, despertando curiosidade e estranheza. Mas essa não é uma prática tão antiga, assim como não são antigas as formas que as pessoas buscam para ter prazer.

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É difícil escrever sobre um assunto tão complexo, por esse motivo vou tentar fazer uma reflexão com menos julgamentos e mais pautada no que já conhecemos. É interessante salientar que esse texto trata-se de uma reflexão sobre o que está sendo produzido sobre o tema.

As diferentes formas de buscar o prazer sexual.

Na psicologia, a atração a coisas inanimadas (incluindo bonecas), partes do corpo e afins já é muito conhecida e tem nome: chama-se “Fetichismo” (que é um tipo de parafilia), que seria uma dependência de determinados objetos inanimados para estimular a excitação e a satisfação sexual. Sendo uma prática muito comum.

Nesse caso, a pessoa precisaria de algum objeto que lhe traga prazer para iniciar a excitação (tendo dificuldades para ficar excitado de outras formas).

Existem outras parafilias que também estão envolvidas com a excitação e o prazer sexual como o próprio “Transvestismo Fetichista” (consiste em utilizar roupas do sexo oposto para obter satisfação sexual), o “Exibicionismo” (sentir prazer e excitação em exibir a própria genitália para uma pessoa desconhecida), o clássico “Voyeurismo” (obter satisfação e prazer sexual observando pessoas em comportamentos sexuais ou íntimos, que geralmente não sabem que estão sendo observados) e até mesmo o “Sadomosaquismo” (que é a obtenção da excitação ou prazer através da dor e sofrimento, tanto sentir dor, quanto fazer o outro sentir).

Entre tantas outras formas de prazer que fogem a regra comum, sendo que alguns são mais aceitos socialmente, enquanto outros nem tanto.

Porém, as bonecas estão indo além do prazer.

O que mais chama a atenção é que, em entrevistas, os adeptos Japoneses afirmam que a boneca não serve somente para dar prazer sexual, mas também como uma companheira. Em alguns casos, substituindo a mulher real.

Alguns afirmam que encontraram o amor da vida deles. Nesse caso, isso estaria saindo da questão do prazer e indo para uma direção sentimental, que pode ser muito perigosa.

Alguns entrevistados perderam a esposa (real) e as substituíram por bonecas. Nesse caso, pode ocorrer uma identificação com a boneca e até mesmo uma transferência do amor (da mulher falecida para a boneca).

Em outros casos, os entrevistados afirmavam que não conseguiam conversar e se relacionar com mulheres e por isso decidiram apelar para as bonecas. Ou seja, eles poderiam estar evitando lidar com a dificuldade deles e indo pelo caminho mais “fácil”.

Ou seja, os noticiários tendem a demonstrar que esse “novo” comportamento está atingido formas diferenciadas de se relacionar e demonstrando que as bonecas estão sendo tratadas como pessoas reais.

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Alguns problemas que podem existir.

Precisamos ter em mente que tudo que é novo e diferente nos causa estranheza, mas não necessariamente precisamos olhar com “olhos julgadores”. É mais interessante sermos observadores dos acontecimentos para refletirmos sobre eles.

No caso é possível que esse comportamento traga algumas consequências negativas, pois faz com que as pessoas evitem “lidar com conflitos” além de transferir sentimentos que tinham por pessoas reais, para objetos inanimados (sem necessariamente ser retribuído).

Em alguns casos, parece ser um comportamento de fuga, de um não enfrentamento de uma situação real, indo além de uma busca de prazer sexual.

Podemos pensar, que em alguns casos, essas bonecas poderiam sim ter utilidade, tanto de prazer, quanto de auxiliar no enfrentamento de algumas questões, mas que, futuramente, serviria para promover a relação com pessoas reais. Auxiliando no tratamento de muitos problemas.

No momento, não é essa a realidade que está sendo demonstrada.

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A nossa necessidade de criar e manter vínculos sociais significativos, ter aceitação social e nos sentirmos pertencentes ao grupo social precisa ser suprida e é tão importante para nossa saúde quanto fazer exercícios físicos.

O isolamento social afeta a qualidade de vida e traz muitos riscos para saúde, tanto física quanto mental.

Dificilmente (pelo menos não no momento presente), o convívio com bonecos inanimados irá suprir essas necessidades. Mas precisamos lembrar que o mundo está se modificando e que as nossas relações também mudam com o mundo. As consequências disso serão avaliadas com o tempo.

E para você, o que significa esse novo comportamento? Será uma nova forma de nos relacionarmos ou é algo passageiro, principalmente para os japoneses?

Crédito das fotos: Behrouz Mehri / AFP.


Leonardo Luchetta527 Posts

É psicólogo e redator de conteúdos. Escreve, reflete e pesquisa sobre os mais variados temas. Não considera a escrita como trabalho, mas uma necessidade da alma.

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