Alguns erros comuns na criação de mais de um filho

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Sabemos que não há um “manual de como criar os filhos adequadamente”, até porque tal manual seria incompleto das mais diversas maneiras possíveis. Mas, sabemos também que existem alguns comportamentos que devem ser evitados, quando se trata da criação de filhos, para contribuir positivamente com o desenvolvimento deles.

Em relação ao assunto, existem três comportamentos que tenho percebido com certa frequência, pelos pais que optam por ter mais de um filho, fazendo com que seja interessante realizarmos uma pequena reflexão sobre eles. Além disso, separei algumas dicas do que se pode fazer para evitar e amenizar esses erros.

Confira alguns comportamentos que devem ser evitados na criação dos seus filhos pequenos, para contribuir com o desenvolvimento saudável das crianças.

Dar presente para os dois (no aniversário de apenas um).

Esse é um comportamento que está cada vez mais comum. Quando uma criança faz aniversário, os pais acabam comprando presente para as duas (sendo que a outra não está de aniversário).

Muitos justificam esse comportamento afirmando que não desejam que o outro filho (o que não está de aniversário), fique triste ou sentindo que não “é importante”. Porém, esse pequeno gesto, pode trazer algumas consequências negativas, fazendo com que seja interessante evitá-lo.

Veja algumas consequências que esse comportamento pode trazer:

Consequência 1: A criança que recebeu o presente sem ser aniversário dela, irá aprender que deve ser recompensada quando o outro é recompensado (mesmo que ela não tenha feito nada para merecer). Assim, ela passa a acreditar que o fato de o outro ganhar algo, significa que ela também deva ganhar (sempre).

Dessa forma, quando o outro passar a ganhar algo (por mérito próprio), e essa criança não ganhar (por não merecer), ela poderá ficar extremamente frustrada, afinal, foi criada acreditando que quando o outro “vence” ela vai “vencer por tabela” (infelizmente nem sempre é assim).

Consequência 2: O aniversariante pode sentir que o “seu dia” não é tão especial assim, afinal, o irmão também está ganhando presente e nem é aniversário dele. Além disso, ele também vai querer presente no aniversário do irmão (mas na verdade, essa lógica não faz sentido).

O que os pais podem fazer?

É compreensível que o filho pequeno fique triste ao perceber o irmão ganhando presentes e até mesmo queira ganhar também. Isso é comum. Os pais podem, no lugar de dar presentes, conversar com o filho e explicar porque o irmão está recebendo tanto carinho, atenção e presentes nesta data.

Fazendo com que a criança lembre que no dia do aniversário dela, acontece o mesmo com ela. Por mais que ela fique triste (o que não é problema nenhum), essa tristeza será passageira e o aniversário dela será ainda mais especial.

Além disso, no dia em que ela estiver feliz no aniversário dela (ganhando presentes, carinho e atenção), o pai pode reforçar a lembrança: “Lembra que no aniversário do seu irmão ele teve o que você está tendo hoje?”. Assim a criança passa a perceber e fazer uma diferenciação entre ela própria e o irmão.

É interessante fazer isso com todos os envolvidos, dando maior ênfase para o filho que está de aniversário, utilizando esse momento para ensinar e auxiliar no desenvolvimento dos filhos.

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Fazer comparações.

As comparações estão constantemente presentes na criação dos filhos pequenos. Mas, elas podem trazer consequências em longo prazo, não sendo saudáveis para a criança. Algumas falas como “o seu irmão não faz isso”, “olha como o seu irmão faz bem”, “o seu irmão nunca fez isso” e assim por diante, estão cada vez mais comuns.

O problema é que a criança pode crescer acreditando que o irmão é melhor do que ela em tudo, afinal, o pai fica constantemente fazendo comparações e demonstrando o quanto o irmão está correto, o quanto ele deve ser imitado (mesmo sem que o pai e a mãe tenham a intenção de fazer isso).

Com isso, pode surgir o sentimento na criança de que os pais gostam mais do irmão ou até mesmo o sentimento de ser rejeitada pelos pais. Em outros casos, isso pode fazer com que a criança acredite que deva fazer tudo exatamente igual ao irmão, tendo dificuldades, no futuro, de agir por conta própria.

Ou seja, dessa forma a criança acaba tendo dificuldades de criar a sua própria identidade e ter a sua individualidade.

O que os pais podem fazer?

É fundamental evitar as comparações entre as crianças e claro, evitar fazer com que o outro vire um “modelo” de comportamentos corretos (principalmente no momento de brigas).

Dessa forma, passa a ser interessante evitar as falas comparativas, mesmo quando é para demonstrar “o caminho correto” para a criança. No lugar disso, passa a ser interessante dar orientações concretas a respeito do que a criança deve fazer (sem mencionar os irmão).

Além disso, é interessante reforçar os comportamentos que são saudáveis. Assim, quando um dos filhos se comportar da maneira desejada, você poderá dar algumas bonificações (que o outro que não se comportou não deverá ganhar). Isso irá ensinar que alguns comportamentos levam à consequências positivas.

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Pensar neles como “um só”.

Tenho percebido que muitos pais acabam vendo os filhos como “um só”, tendo até dificuldade para separar um ou outro. Quando se referem aos filhos, fazem algumas confusões e até mesmo conversam como se tivessem apenas um filho (a). Esse comportamento é mais comum em pais que possuem filhos do mesmo gênero de uma faixa etária aproximada.

Essa dificuldade de diferenciação pode ser um problema. Afinal, ela demonstra que não se está percebendo as diferenças e particularidades de cada crianças. Podendo gerar um problema entre elas mesmas (problemas de identidade).

A criança pode passar a perceber que os pais não estão fazendo essa diferenciação, encorajando as mesmas a não fazê-lo. Assim, as crianças podem passar a imitar comportamentos e agir como se realmente fossem iguais (quando na verdade não são).

O que os pais podem fazer?

No lugar de fazer comparações ou acreditar que os filhos são iguais (mesmo sem perceber), por serem irmãos, é preciso perceber a individualidade de cada um e, principalmente, contribuir para que tenham a sua própria individualidade (os encorajando para isso).

Em alguns casos, passa a ser interessante demonstrar que não há problema em ser diferente e fazer as coisas de maneira diferenciada (tanto do irmão quanto das outras crianças). Ensinando assim que cada um possui uma maneira de agir e se expressar no mundo.

Dessa forma, cada uma terá a tendência de crescer do seu jeito, aprendendo e se desenvolvendo de acordo com as suas próprias experiências (sem seguir tantos modelos ou ter medo de se expressar como deseja), fazendo com que sejam pessoas diferenciadas no futuro, livres de problemas relacionados com a infância.

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O que devemos levar em consideração com tudo isso?

Apesar de não ser uma tarefa simples, ao evitar alguns comportamentos comuns, pode ser possível contribuir significativamente para a qualidade de vida dos filhos no futuro. Focando principalmente para uma boa saúde mental tanto para o agora, quanto para quando forem adultos.

É interessante pensar também que a infância é um momento diferenciado, em que as experiências contam muito, pois, a personalidade da criança ainda está se desenvolvendo. Por isso, os pais possuem um papel fundamental nesse desenvolvimento.

Portanto, mesmo não existindo o tal manual de instruções, pode ser interessante buscar cada vez mais novos conhecimentos a respeito do que se pode fazer para contribuir positivamente para a criação dos filhos, evitando alguns comportamentos nocivos.

Quando se pensa em desenvolvimento das crianças, todo pequeno esforço conta.


Leonardo Luchetta548 Posts

É psicólogo e redator de conteúdos. Escreve, reflete e pesquisa sobre os mais variados temas. Não considera a escrita como trabalho, mas uma necessidade da alma.

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