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Sniper Americano: herói ou apenas um frio matador?

Herói ou apenas um frio matador?

Essa é uma pergunta bastante difícil de responder durante os 132 minutos de Sniper Americano (American Sniper – 2014), o filme de guerra com maior bilheteria nos EUA até então. Com direção do talentoso veterano e icônico Clint Eastwood, o filme conta a história real de Chris Kyle, um sniper do exército americano que matou mais de 160 inimigos durante as 4 missões na Guerra do Iraque, pós o fatídico 11 de Setembro.

Aqui, Chris Kyle é interpretado por Bradley Cooper que, surpreendentemente, cumpre muito bem o papel de um soldado. Falo isso porque eu tinha dúvidas sobre a capacidade de Cooper convencer como um soldado frio, pra não dizer gelado. Na história, Kyle vive um verdadeiro drama pois toda vez que vai ao Iraque cumprir missões, deixa a mulher Taya (Sienna Miller) com os filhos em casa.

Ansiosa pela volta do marido e pela real possibilidade da perda dele durantes as batalhas, a vida de Taya vai se tornando cada vez mais difícil. Toda vez que Kyle retorna, Taya tenta fazer com que ele desista da guerra, fazendo com que enxergue que os feitos na guerra não irão mudar nada e mais guerras sempre virão. Mas Kyle parece ser guiado por um sentimento patriota muito maior que tudo isso.

Para ele, sua família só está segura por conta de ele contribuir na guerra e impedir que o inimigo chegue a sua cidade. É uma questão de princípios e patriotismo que, de certa forma, está além da compreensão de nós, brasileiros. Além disso, foi algo plantado pelo próprio pai e durante o próprio treinamento do soldado, onde o ato de desistir era praticamente um crime.

Momento: “Cadê o próximo alvo, heim?”.

Sniper Americano está longe de ser um revolucionário filme de guerra. Bem longe mesmo. A indicação ao Oscar e sua bilheteria histórica estão intimamente relacionadas a história real de Kyle, que foi morto após ter voltado para os braços de sua família em 2013, por um veterano de guerra que enfrentava estresse pós-traumático. Além do seu recorde em mortes, certamente essa foi a mola propulsora para a produção do filme.

Durante a projeção e até após os créditos finais, você vai ficar com a seguinte questão pipocando na cabeça: Clint Eastwood quis fazer um filme exaltando a força bélica americana e a superioridade de seu exército motivando a guerra pela vingança ou um filme alertando sobre os efeitos sofridos pelos soldados que voltam da guerra e os impactos que isso tem em suas famílias? É possível fazer as duas leituras.

Mestre Eastwood transmitindo sabedoria no set e destilando sua visão da guerra.

Tenho sentimentos dúbios mas, pelo fato de Eastwood ser republicano e principalmente quando analisamos o histórico dele como ator, creio que ele quis sim enaltecer Kyle como o grande herói americano. E deve ter sido dessa maneira que grande parte do público americano encarou o filme, dada a grande bilheteria arrecadada. Além disso, a morte de Kyle, no dia 3 de Fevereiro de 2013, gerou enorme comoção por lá.

Talvez, se a história real de Kyle tivesse acontecido no Brasil e ele fosse um soldado brasileiro, nosso sentimento fosse o mesmo que os americanos. Talvez o víssemos realmente como um herói, por proteger o nosso país e nossos interesses. Mas, como trata-se de um filme sobre um soldado americano, fica difícil conseguir encarar Kyle como um herói inquestionável.

De qualquer maneira, Sniper Americano deve ser visto, tanto pela sua qualidade como filme – as cenas de batalhas são incríveis, principalmente por conta da edição de som – quando pela história e o debate gerados.

E para você? Kyle foi ou não um verdadeiro herói?

Rodrigo Cunha

Publicitário, geek, louco por cinema, música, games, livros e boas idéias nas horas vagas e não vagas. Tem medo de fazer compras em NY e beber num PUB de Londres e nunca mais voltar.

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Rodrigo Cunha

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