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Por que ler Philip Roth?

O escritor americano Philip Roth, sem dúvida nenhuma, projetou-se como um dos maiores nomes da literatura mundial do século 20. Nascido em Newark, Nova Jérsei, em 19 de março de 1933, Philip Roth publicou seu primeiro livro, Adeus, Columbus, em 1959, quando estava então com vinte e seis anos de idade. Contendo a novela homônima e cinco narrativas curtas, ali Philip Roth já delineava toda a frenética e lúcida inquietação do seu estilo corrosivo e pungente, porém relativamente cínico e desesperançado, com os quais viria a elaborar seus romances, altamente autobiográficos.

Com personagens complexos, que enfrentam dramas tão corriqueiros quanto extraordinários – porém saturados de extenuantes e deprimentes compulsões inerentes à condição humana -, as intempestivas oscilações do autor manifestam-se em uma literatura carregada de tempestuosos e aflitivos elementos existenciais, onde o homem é muitas vezes prisioneiro de suas próprias limitações, incertezas, dúvidas e perversidades.

Embora já fosse conhecido, Philip Roth consolidou sua reputação como escritor quando publicou o romance O Complexo de Portnoy, em 1969. A partir de então, o autor se estabeleceu como um dos maiores romancistas americanos contemporâneos, e publicaria com regularidade livros que seriam um estarrecedor sucesso tanto de público quanto de crítica, que o tornariam uma celebridade polêmica e controversa. Eventualmente, muitos de seus livros acabaram sendo adaptados para o cinema. Em 1997, o autor publicou uma de suas obras mais famosas, Pastoral Americana, que foi adaptada para o cinema em 2016. O filme homônimo foi estrelado e dirigido por Ewan McGregor, e o elenco contou com estrelas de alto calibre, como Jennifer Connelly e Dakota Fanning. Seu romance, A Marca Humana, publicado em 2000, foi adaptado para o cinema em 2003, em um filme estrelado por Anthony Hopkins, Nicole Kidman, Gary Sinise e Wentworth Miller.

Em 2001, Philip Roth publicou O Animal Agonizante, o último livro de uma trilogia iniciada quase trinta anos antes – os outros dois sendo O Seio, publicado em 1972, e O Professor do Desejo, publicado em 1977 – que conta a história do personagem David Kepesh, que em muitos aspectos era uma espécie de reflexo do próprio autor. David Kepesh é um professor de literatura relativamente famoso na comunidade onde vive, muito popular também entre seus alunos. Homem terrivelmente promíscuo, dado a inúmeras aventuras sexuais, ele não hesita em ter casos tórridos com suas alunas; no entanto, ele espera o semestre terminar para não ter problemas, caso descubram que ele viola sistematicamente o código de ética que proíbe professores de se relacionarem com suas alunas.

Em O Animal Agonizante, David Kepesh gradualmente se torna obcecado por sua aluna, Consuela Castillo, uma ardente e sensual cubana, que acaba igualmente fascinada pelo erudito professor, deixando-se envolver por seu irrefreável carisma sensível e sedutor. Eventualmente, no entanto, Kepesh acaba sendo consumido por suas restritivas incapacidades emocionais que o inibem de ter um relacionamento sério com Consuela, o que leva o relacionamento a um amargo e inesperado fim. Um tempo depois, no entanto, eles acabam se reencontrando, em circunstâncias terrivelmente desconcertantes, que deixam o protagonista ainda mais perturbado e desolado.

Consuela – fisicamente abatida e visivelmente enfraquecida – conta que está com câncer. Toda a fragilidade dos personagens se revela, então, de uma forma surpreendentemente tempestuosa e lírica, em uma trama coesa, mas ainda assim intensamente sombria e aflitiva. Mais uma vez, David Kepesh é consumido por um abrasivo e solitário sentimento de impotência, que o faz sentir-se terrivelmente angustiado e incapaz de enfrentar a situação. Embora seja um dos livros mais concisos de Philip Roth, O Animal Agonizante deixa transparecer uma mordacidade latente nos personagens, que neste caso são mais importantes do que a trama em si: eles vibram, se deleitam e se desesperam com as ingerências da condição humana, tanto quanto são dominados e consumidos por suas fraquezas e por seus impulsos mais primitivos.

O mais notório personagem de Philip Roth, no entanto – e seu alter ego confesso -, era Nathan Zuckerman, protagonista de nove romances do autor. O último, Fantasma Sai de Cena, foi publicado em 2007. Neste romance, Nathan Zuckerman, idoso – tendo mais ou menos a idade correpondente do autor -, retorna para Nova Iorque depois de muitos anos, e lá se apaixona por uma jovem escritora. Apesar de ser casada, isso não impede Zuckerman de fantasiar com ela, e até mesmo escrever diálogos, nos quais revela os seus desejos mais libidinosos pela mulher que domina seus devaneios mais voluptuosos.

A despeito do fato de visitar ela e o marido com certa regularidade, Zuckerman oculta suas verdadeiras intenções, em uma agradável, porém dispersiva narrativa, que confere vitalidade às graciosas fantasias do protagonista com a jovem escritora, apesar do tom frequentemente dramático do romance. Fantasma Sai de Cena, sem dúvida nenhuma, é um dos livros mais fantásticos, densos e excepcionais de Philip Roth. Com uma trama concentrada, consistente e vigorosa, mas ao mesmo tempo saturada de incomensurável fúria, intempestiva desesperança e depressiva luxúria, a obra reflete uma cínica e amarga desolação pessoal do autor com relação à vida, que definitivamente se consagra como sua marca registrada — ainda que o protagonista Nathan Zuckerman expresse uma inaudita e feroz resistência à sofreguidão que acompanha, inflexível, as deploráveis e insalubres frivolidades de sua torpe, e não raro insossa existência.

Um autor tão ousado quanto intrigante, inovador, audacioso e original, Philip Roth definitivamente projetou-se como uma voz singular na literatura americana contemporânea. Com uma obra inigualável e plena de originalidade – tão brutal e consistente quanto dramática e peculiar —, sua sensibilidade ímpar continuará a conquistar gerações de leitores, que ficarão extasiados com sua habilidade para contar histórias ostensivamente pertubadoras, e ainda assim, profundamente humanas. O autor infelizmente faleceu em 22 de maio de 2018, em Manhattan, Nova Iorque, aos 85 anos. Não obstante, viverá em sua intrigante, expressiva e formidável obra.

Colaboração Wagner Hertzog.

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