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Categorias: Comportamento

De pai para filho: 4 lições de como lidar com o dinheiro

Neste período em que se comemora o Dia dos Pais, acredito ser fundamental o debate sobre o papel deles no desenvolvimento da educação financeira dos filhos. Espacialmente diante de uma situação atual instável do país, o que mostra que não é mais possível se omitir sobre o tema.

Com um cenário de consumismo desenfreado, população endividada ou frustrada por não conseguir realizar seus sonhos, ensinar crianças e jovens a como lidar com dinheiro e controlar os anseios tornou-se um dos principais desafios dos pais. As famílias têm papel fundamental no significado que os filhos atribuem ao dinheiro e na forma como irão administrar seus recursos financeiros ao longo de toda a vida.

Muitos pais que não receberam orientação dessa natureza encontram dificuldade de transmitir esse conhecimento. Mas agora estão ganhando aliados nessa tarefa, como as escolas, que estão adotando programa de educação financeira para alunos desde o Ensino Infantil ao Médio. E um dos caminhos para essas duas importantes instituições – escola e família – educarem financeiramente a nova geração é estimular que ela identifique seus sonhos de curto, médio e longo prazos, ensinando a investigar quanto custam e como poupar.

Quando começar?

É uma característica das crianças serem muito observadoras e desde cedo começarem a perceber que o dinheiro tem uma importância na vida dos pais; em paralelo, elas passam a estabelecer desejos de consumo. A partir da percepção deste entendimento, que ocorre normalmente por volta dos três anos, já deve ter início a educação financeira.

Frequentemente elas observam os adultos entregarem dinheiro, cartões e cheques, em vários locais, em troca de mercadorias. Ou seja, observam que troca-se dinheiro por coisas que se quer ter. Ao mesmo tempo, crianças e jovens estão expostos às mensagens publicitárias que estimulam o desejo de ter. São duas forças importantes que movimentam a sociedade e, portanto, precisam ser bem compreendidas.

A partir dos sete anos, esse processo pode se dar por meio de semanada ou mesada.

Combatendo o consumismo

O antídoto para os possíveis efeitos nocivos do estímulo ao consumo é envolver eles nas decisões familiares sobre os gastos, colocando os sonhos em primeiro lugar. Temos de mostrar que é preciso ter objetivos, fazer escolhas e que nada é mágico, porém, tudo é possível, desde que o dinheiro seja usado com foco e sabedoria.

Dessa forma, mostrar às crianças e aos jovens que acordos não significam negação, mas sim negociação. Eles perceberão que é possível ter, porém nem sempre no momento em que se quer. Essa prática também ajuda a aliviar o sentimento de culpa de muitos pais, porque, nesse exercício, eles também aprendem a se reeducar financeiramente e deixam de ver o dinheiro – ou o poder de comprar – como uma válvula de escape para suprir lacunas em outros aspectos da vida.

Problemas com a falta de educação financeira

Uma criança que não é educada financeiramente trará grandes problemas de descontrole para os pais, por querer tudo que vê e fazer “birra”. Hoje, o pequeno é elevado ao status de consumidor sem estar preparado. E a publicidade utiliza de propagandas tão apelativas que causam desejos imediatos nas crianças de querer o produto. Uma situação que indica uma criança excessivamente consumista é quando ela gasta todo o seu dinheiro ganho com mesada e logo pede mais dinheiro para seus pais. Porém, não existe um índice que mostre qual o grau que esse problema atingiu.

Você é o exemplo!

Os pais são referências para os filhos. Se a criança vê os pais comprando sem parar, vão tender a seguir esse exemplo e acabar agindo da mesma maneira ou até pior. Assim, é fundamental ter muito cuidado com o exemplo que os familiares passam e, desde cedo, demonstrar que a felicidade não está associada ao consumismo desenfreado, e sim à realização de objetivos.

No caso do exemplo externo, a família também terá um papel de grande relevância, que é o de estabelecer os limites para esta atitude. Os pais podem reforçar ou não a atitude consumista da criança e, se o comportamento não mudar, nesse primeiro momento, é muito provável que ela se torne um adulto sem limite nos seus gastos.

Colaboração: Reinaldo Domingos. Educador financeiro, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin) e da DSOP Educação Financeira.

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