Catherine Deneuve, a eterna e graciosa musa do cinema francês

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Catherine Deneuve é uma famosa atriz francesa, ativa desde o final da década de 1950, que nos anos 1960 e 1970, consagrou-se como uma das mais belas, exuberantes e talentosas mulheres do mundo, tornando-se um símbolo da sensualidade feminina e um ícone do cinema.

Tendo trabalhado com alguns dos maiores e mais renomados diretores da indústria cinematográfica – como Roman Polanski, François Truffaut e Luis Buñuel – a atriz atingiu sua consagração com filmes como Repulsa ao Sexo, de Polanski, lançado em 1965, e com A Bela da Tarde, de Buñuel, de 1967. A partir de então, ela rapidamente se tornou uma das atrizes mais solicitadas e requisitadas do cinema, participando de dois a cinco filmes por ano.

Sempre exaltando a sua beleza jovial e inocente, mas ao mesmo tempo maliciosa, indolente e selvagem, filmes como A Bela da Tarde (1967), Manon 70 (1968), A Chamada do Amor (1968) e A Mulher com Botas Vermelhas (1974) souberam capitalizar em cima de sua sensualidade intempestiva, exuberante e inquietante, na qual a atriz normalmente interpretava mulheres relativamente reprimidas, cujo maior desejo era ser sexualmente selvagem e incontrolável. Não obstante, isso não era tudo. Nos filmes, as sensibilidades fugidias, porém pungentes, das habilidades dramáticas da atriz sempre foram muito bem concebidas e exaltadas, embora de formas geralmente discretas e sutis, sem jamais recorrer a vulgaridade ou ao apelo comercial barato que é tão comum no cinema moderno.

É verdade, no entanto, que sua beleza rapidamente consolidou-se como um elemento primordial das fantasias mais contundentes do imaginário masculino, e isso foi rapidamente transportado para as telas. Em A Bela da Tarde, por exemplo, Deneuve interpreta Séverine Serizy, uma mulher casada, que não é feliz com o seu marido, e sente uma incontrolável vontade de satisfazer seus desejos voluptuosos mais selvagens. Por essa razão, ela se torna uma acompanhante de luxo – ou seja, uma garota de programa – na tentativa de saciar sua volúpia e libido. Ela, no entanto, só pode realizar o ofício durante a tarde, pois tem de voltar para casa antes do marido regressar do trabalho. O título do filme brinca com o termo “belle de nuit” (bela da noite), expressão coloquial usada antigamente para descrever prostitutas na língua francesa. No caso, Séverine era a “bela da tarde”.

Basicamente, podemos dizer efetivamente que a maioria das personagens que Catherine Deneuve interpretou em sua juventude eram mulheres sensuais, apaixonadas e ardentes, que na verdade refletiam os desejos e as paixões que a atriz despertava no imaginário masculino.

Vários filmes, no entanto, sempre exaltaram a beleza poética das personalidades inquietas e intransigentes de suas personagens. Em filmes excepcionalmente esplêndidos como Manon 70, a personagem de Deneuve, Manon, faz par romântico com François Des Grieux, personagem de Sami Frey, no que se revelou um dos mais grandiosos e esplêndidos filmes do gênero dramático e romântico da história do cinema europeu.

Entre olhares poéticos, ardilosos e apaixonados – que tem por pano de fundo o glorioso crepúsculo cultural que encerrava a década de 1960 com o furor de expectativas juvenis envoltas por promessas árduas, porém vazias, algo sutilmente retratado no filme – e a inquietação magistral de uma personagem volátil, dissimulada e interesseira que aparentemente só pensava em extrair dos homens benefícios materiais, vemos o possível despertar de uma paixão sincera e angustiante, que leva o personagem de Sami Frey a considerar a realização do amor como a maior ambição de sua vida, no que pode ser considerado certamente um dos mais memoráveis, arrebatadores e formidáveis dramas românticos da história do cinema.

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A cena em que ambos estão na banheira, um de costas para o outro, jurando amor eterno ao mesmo tempo que expressam suas inseguranças e incertezas sobre a relação tornou-se uma referência clássica do cinema europeu; além disso, a sequência de cenas registra na tela a graciosa e arrebatadora sensualidade da atriz, que mexeu com a imaginação e os desejos de todos os homens que a contemplaram esbanjando charme, sensualidade e luxúria incontroláveis em filmes artisticamente impecáveis e existencialmente poéticos, que exploravam com sutileza e magistral profundidade as misteriosas contradições do gênero feminino, além dos atritos inevitáveis entre homens e mulheres.

Extremamente cobiçada por toda a sorte de homens – especialmente durante a juventude —, Catherine Deneuve teve inúmeros parceiros ao longo de sua vida, em relacionamentos que na maioria das vezes foram breves e efêmeros. Seu primeiro romance foi com o famoso cineasta Roger Vadim. A relação começou em 1961, quando Deneuve tinha apenas dezessete anos, e terminou em 1964. Da relação com Roger Vadim, Deneuve tornou-se mãe de Christian Vadim, que nasceu em 1963, e também é ator.

De 1965 a 1972, Deneuve foi casada com o fotógrafo David Bailey. De 1970 a 1974, Deneuve namorou o famoso ator italiano Marcello Mastroianni; ambos trabalharam juntos na comédia Niente di grave, suo marito è incinto, de 1973. Com Mastroianni, Deneuve teve uma filha, Chiara Mastroianni, que nasceu em 1972, e também é atriz. Deneuve também namorou o ator Sami Frey, com quem trabalhou no filme Manon 70, além de ter tido relacionamentos com outros atores, como Franco Nero, Clint Eastwood e até mesmo John Travolta. Ela chegou a namorar diretores como Roman Polanski – com quem trabalhou no filme Repulsa ao Sexo, de 1965, cujo sucesso ajudou a fazer dela uma estrela – e François Truffaut, com quem trabalhou no filme A Sereia do Mississipi, de 1969.

A partir da década de 1990, Deneuve tornou-se muito mais discreta com relação a sua vida particular, o que levou a mídia e os tablóides sensacionalistas a fazerem infindáveis especulações sobre a privacidade e os relacionamentos da atriz. Em uma entrevista recente, Deneuve revelou que está em um relacionamento, mas não revelou a identidade do seu parceiro.

Em 1967, Catherine Deneuve enfrentou a pior tragédia de sua vida, quando sua irmã, Françoise Dorléac, morreu em um terrível acidente automobilístico. Apenas um ano e meio mais velha que Deneuve, Dorléac tinha apenas 25 anos de idade quando morreu. Assim como a irmã, ela também era uma atriz em ascensão, e já acumulava mais de 30 créditos em cinema e televisão.

Hoje, Catherine Deneuve tem 76 anos. A beleza e a glória da juventude podem ter ficado para trás, mas seu talento sem dúvida nenhuma continua cativando os cinéfilos e entusiastas do cinema europeu no mundo inteiro. Extremamente ativa e produtiva, Deneuve tem uma filmografia extensa, tendo participado de mais de 130 filmes. Seu filme mais recente, A Verdade, foi lançado no ano passado. Além dela, o filme também é estrelado por Juliette Binoche, Ludivine Sagnier e Ethan Hawke.

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Sendo a mulher talentosa, resoluta, cativante e determinada que sempre foi, com toda a certeza Catherine Deneuve continuará sendo uma presença fundamental do cinema pelos anos que virão. Cinéfilos do mundo inteiro agradecem. Deneuve é uma mulher inesquecível e seu talento permanecerá indissociável à sua gloriosa contribuição para a sétima arte.

Colaboração: Wagner Hertzog.


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