Baleia Azul: Um guia para os pais

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Recentemente descobrimos sobre um tal jogo chamado “Baleia Azul” e quais as suas consequências, mas ainda ficaram muitas dúvidas a respeito do que devemos fazer para tentar evitar que o jogo fique acessível para nossos filhos.

Realmente não existe uma “receita de bolo” de como deixar os adolescentes completamente fora desse tipo de jogo na internet, mas com certeza existem maneiras de, pelo menos, evitar que eles entrem em contato com esses conteúdos.

Nós já falamos um pouco sobre o suicídio (leia aqui), refletindo sobre como lidar com o tema.

Mas como lidar com um jogo virtual que pode ter graves consequências? É isso que vamos refletir hoje.

Primeiramente, conheça o jogo.

A primeira coisa que você precisa saber são informações a respeito do jogo. Por isso separamos algumas informações importantes sobre ele:

Trata-se de um jogo virtual, com cerca de 50 desafios, que começam simples e vão aumentando a dificuldade. O desafio final seria o de tirar a própria vida. O “jogo” conta com um “tutor”, ou “administrador” ou “curador”, que dá as ordens dos desafios.

Essas tarefas são dadas a partir de trocas de mensagens pelas redes sociais, em que o adolescente é convidado a entrar no desafio e supostamente não poderá sair dele.

Não se trata de uma brincadeira, mas sim de um assunto extremamente sério, que pode causar dor e sofrimento para os envolvidos e seus familiares.

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Segundamente, conheça a quem esse jogo se destina.

O público-alvo desse tipo de desafio são os adolescentes (a faixa etária dessa fase da vida é entre os 13 aos 18 anos de idade). Nessa fase o jovem ainda precisa testar alguns limites e é mais facilmente influenciado pelos outros (para o bem e para o mal), sendo também, mais facilmente manipuláveis, com uma pré-disposição aos comportamentos de risco.

Em relação ao jogo, existem alguns componentes que podem preocupar mais os país, como por exemplo, filhos com histórico de depressão ou com ideação suicida (que já pensam em tirar a própria vida), ou que possuam algum tipo de transtorno psiquiátrico.

É importante ficar atento a esses sinais e saber que o jogo pode ser realmente efetivo se o adolescente estiver nesse grupo de risco.

Mas afinal, o que os país podem fazer a respeito desse“jogo”?

Separei algumas dicas do que você como pai pode fazer para evitar que seus filhos entrem em contato com esse jogo, ou perceber se ele já está em contato e como agir em relação a isso:

Monitore algumas atividades na internet.

O jogo ocorre inteiramente na internet, por isso, é importante estar atento ao que o seu filho adolescente anda fazendo (tanto no computador quanto no smartphone).

Veja bem, ele precisa ter a individualidade e privacidade respeitada, mas isso não significa que você não possa ver tudo o que ele faz na internet.

A internet pode ser uma ótima fonte de conhecimento, com muita coisa interessante para aprender, como ela também pode ser uma fonte de problemas. O importante é sabermos como lidar com ela.

Por isso, tente descobrir quais são as atividades de seu filho na internet e perceba possíveis riscos associados ao uso da internet.

Perceba mudanças repentinas no comportamento.

O jogo propõe desafios, como assistir filmes de terror, andar em locais altos, ficar isolado do contato social, provocar algum tipo de doenças intencionalmente e assim por diante.

Veja se o seu filho está se automutilando ou está dando grande importância para objetos cortantes.

Por isso, tente perceber mudanças repentinas de comportamento, a fim de perceber se o seu filho está envolvido com o jogo ou se a internet está trazendo algum problema para ele.

Para conseguir perceber essas mudanças é interessante estar atento a rotina do seu filho, entendendo quais são os gostos dele e qual é a real chance de ele se envolver com algo desse tipo.

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Converse sobre o assunto.

Conversar sobre esse jogo não é algo que deve ser feito com julgamentos morais, ou demonstrar que é algo errado, que as pessoas nunca deveriam fazer.

Esse é um tipo de discurso que não é bem-vindo, principalmente com os adolescentes. Por isso é interessante conversar com ele para refletir sobre o assunto, perguntar sobre a opinião dele, ver o que ele acha, se ele já ouviu falar e assim por diante.

Tente ficar por dentro do mundo do seu filho e descobrir o que ele pensa sobre as coisas, quais são as opiniões dele. Lembrando que isso não deve trazer brigas ou discussões calorosas entre vocês. Você precisa conversar com ele e entender o ponto de vista (tendo sempre em mente que ele pode tentar esconder algo, por isso é importante evitar julgamentos e punições).

Tende deixar claro que você está do lado do seu filho para o que der e vier e que juntos vocês podem superar os problemas (ou seja, demonstre que ele não está sozinho). Uma das ameaças para quem deseja sair do jogo é ameaçar a família ou ameaçar expor o adolescente. Quando o laço familiar está forte, essas ameaças acabam perdendo o sentido.

Tenha em mente que o seu relacionamento com ele é importante.

Saiba que a relação entre pai e filho é muito importante, mesmo que ela esteja passando por problemas (principalmente quando eles são adolescentes). Por isso, tente ter uma relação saudável com ele.

Ao mesmo tempo que você impõe alguns limites, você também deve ser solidário e entender que ele está buscando a identidade dele nessa etapa da vida. Essa busca também diz respeito em testar alguns limites e diferenciar-se de seus familiares (geralmente é algo passageiro).

A vontade de quebrar barreiras e “seguir um caminho diferente” do caminho dos país é comum, por isso, tente compreender essa etapa da vida dele, levado em consideração que a relação de vocês é muito importante e que você continua sendo uma figura fundamental na vida dele.

Quando a relação pai e filho está forte, fica mais fácil conversar sobre os assuntos e os pedidos de ajuda são mais facilmente feitos pelos adolescentes.

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Perceba como está o contato social do seu filho.

A parte social é muito importante para nós. Mas veja bem, não estou falando de quantidade, estou falando de qualidade. Tente perceber como está a vida social do seu filho e com quem ele se relaciona. Tente fazer parte (pelo menos um pouco), dessa vida social dele.

Atualmente é mais comum termos poucos amigos e ficarmos mais tempo isolados do mundo. Em certa medida, isso pode ser bom, mas quando exagerado, isso pode trazer alguns problemas.

Ter uma vida social ativa contribui para nossa qualidade de vida, portanto, estimule o seu filho a fazer atividades que envolvam outras pessoas e que tragam prazer para ele.

Entenda que este é um período difícil da vida e que muitas vezes não “vemos saída”, mas quando sentimos que temos o suporte familiar e social, acabamos tendo força para enfrentar algumas dificuldades.

Em alguns casos, você precisa do auxílio de um profissional.

Se o seu filho se encaixa no grupo de risco ou está tendo comportamentos que tragam prejuízo para a própria vida, será interessante ter auxílio de um profissional adequado.

Você pode pedir orientação para um psicólogo ou incentivar o seu filho a ir para terapia, pois assim será possível compreender o que realmente está ocorrendo com ele. Em alguns acasos, o jogo é apenas uma maneira que a pessoa encontra de fazer aquilo que já queria, por estar em grande sofrimento.

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A melhor forma de lidar com isso é enfrentando e conhecendo o problema, um profissional adequado pode auxiliar a amenizar os problemas e diminuir os comportamento disfuncionais.


Leonardo Luchetta431 Posts

Escreve artigos para a internet na metade do tempo. Na outra metade se prepara para tornar-se psicólogo clínico. Nas horas vagas, vaga!

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