Todo casal briga

Casal brigando

“Eles estavam discutindo. Achei melhor sair de lá.”.

Foi com essa frase que li em meio a uma conversa que tive, que iniciei meu pensamento. A gente tem mania de achar que a imperfeição reina apenas em nós. Que devemos ser mesmo seres muito “inferiores” por termos o desprazer de contarmos em nossas vidas com cenas tão dispensáveis: brigarmos com nossas famílias, quebrarmos a unha no meio da correria, prendermos o dedo na porta, discutirmos com o namorado.

O fato é que, não talvez, essas cenas acontecem com todo mundo. Nem todas as aparências são fiéis a realidade. Nem todas as fotos do Instagram são tão felizes assim. Nem todo mundo acorda tão bonito. Nem todo mundo ama e é amado. Nem tudo tanta coisa.

“Mas como duas pessoas tão calmas podem brigar?”. Pode parecer bobeira, mas naquele dia parei para pensar: todo casal briga! Adoro um músico chamado Cícero, que uma vez me disse assim: “Deixa pra depois o que já não precisa esperar/E tudo que não deu pra consertar por culpa do depois/Não tem jeito não, a gente sempre espera piorar/A gente sempre deixa de cuidar do que já tem na mão/Mas é sem querer./Deixa pra depois o que já não precisa mais deixar/Mudando as mesmas coisas de lugar.“. Como eu disse anteriormente, adoro Cícero, mas nesse dia ele teve uma conversa comigo que me fez acordar e discordar dele: as brigas eram constantes, o peso do afastamento do pensamento puxava para baixo. Coincidentemente, no mesmo dia ouvi: “É a crise dos 5 meses!”. E acreditei. Não empurrei com a barriga, não deixei para depois (pois, como o mesmo disse, a tendência era piorar!), não fiz nada sem querer, afinal, eram os meus sentimentos que estavam envolvidos em toda aquela trama louca. Por mais que digam que é sempre mais fácil culpar o outro, apontar dedos e indicar defeitos, quando a gente ama é sempre mais fácil e óbvio se culpar. Levar a culpa pelos erros, por aquilo que está passando. E talvez isso seja o que mais machuque: não conseguir encontrar o danado do erro, dentro de si.

E foi assim que consegui chegar onde estou: sem deixar para depois. Os erros que precisam ser corrigidos são o agora, pedem urgência para ontem. Não adianta “rearranjar”, mudar a posição dos sentimentos, colocar na gaveta as mágoas e discussões. Uma hora tudo pesa novamente, e acaba caindo sobre o seu próprio pé, quando menos se imagina. As discussões precisam acontecer, porém de preferência apenas uma vez por “tema”, afinal, tudo tem seu lado bom, e com as discussões não é diferente: erra-se, conversa-se, aprende-se, evolui-se.

Dá arrepios, calafrios. Às vezes faz doer na alma, mas logo em seguida a cura vem. Dá muita coisa. Inclusive a melhor sensação do mundo: amar e ser amada. Não falo como alguém que sonha com um amor desse jeito, mas sim como alguém que sempre quis algo imenso, já beijou muito sapo, aprendeu com outros que não pareciam ser assim, e hoje vive algo além e maior do que aquilo que sempre pensou ser capaz de sentir. O amor, meu amigo, essa sensação tão indescritível.

Não sei se é coisa de mulher, mas dizem que sim: a gente ama, viaja, sobe, não tem medo da queda, se entrega. Depois acha que caiu na real; que, por mínima que seja, uma coisinha te abriu os olhos e você agora ama, mas ama “moderadamente”. Ai, uma outra coisinha aparece: com uma palavra, o sacana, ou não, te condena ao amor flutuante. Ta ai o perigo. Ou não!

Saber superar uma crise é saber demonstrar amor. Uma vez ouvi que “o verdadeiro amor não acaba. Ele se regenera“. E nunca mais esqueci! Passar por crises é dar um salto em direção ao final feliz que todos tanto sonham. É construir, com o presente, o futuro sonhado, que já pode ser vivido.

Quando acordar pensando na imperfeição do dia anterior, acredite: você não é o único, afinal, todo casal briga.

Por Rayanna Utiama.
Imperfeita na medida, como tudo deve ser. Inquieta, procura não empurar nada com a barriga (“fisicamente” falando, coleciona lembretes em bloquinhos de papel e no email pessoal).


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