Cultura cervejeira belga foi declarada ‘Patrimônio Imaterial da Humanidade’ pela Unesco

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Sabia que a rica cultura da cerveja belga foi declarada pela Unesco como “Patrimônio Imaterial da Humanidade”? A Bélgica, que tem o apelido de “paraíso cervejeiro”, conta com aproximadamente 200 cervejarias segundo o Belgian Brewers Annual Report (Relatório Anual de Cervejarias Belgas), número bastante expressivo se levarmos em conta o pequeno tamanho do território desse charmoso país europeu, que é pouco maior que o estado de Alagoas (em torno de 30.528 km²).

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A tradição cervejeira belga tem uma longa história. Desde antes da conquista pelo Império Romano, há mais de dois mil anos atrás, já se produzia cerveja na região dos países baixos. Com a queda de Roma, o poder da Igreja cresceu e começaram a surgir alguns monastérios, que já vinham equipados com cervejarias para suprir a demanda dos próprios monges e, também, da população local.

Hoje, o bar com a maior carta de cervejas do mundo fica na capital belga, Bruxelas, contando com uma carta de mais de três mil rótulos.

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Entre os principais estilos que compõem a rica paleta de cores, aromas e sabores da Escola Belga, estão:

Witbier

Cerveja de coloração amarelo-palha, normalmente turva, com boa formação de espuma densa e cremosa, com aromas cítricos e condimentados devido à adição de raspas de laranja e sementes de coentro. Na boca, baixo dulçor e leve acidez. É uma cerveja refrescante, ótima para dias de calor. Alguns rótulos para conhecer: Hoegaarden, Celis White, St. Bernardus Wit.

Trapistas

Apresentam perfil aromático frutado, alto teor alcoólico, alta carbonatação e paladar seco. Entre os estilos trapistas estão a Belgian Blonde, com aromas remetendo a frutas amarelas, como pêssego e damasco; Belgian Dubbel, com aromas remetendo a chocolate e frutas secas como figos e ameixa; a Belgian Tripel, que também traz aromas remetendo a frutas amarelas porém com maior potência alcoólica e maior presença de lúpulos florais; e a Belgian Dark Strong Ale, versão mais potente das trapistas, com alto teor alcoólico e aromas complexos remetendo a tosta, frutas passas e licor. Alguns rótulos para conhecer: La Trappe Blond, Chimay Rouge, Westmalle Tripel, Rochefort 10, Orval.

Saison

Em geral, são cervejas cuja cor vai do dourado ao âmbar, com grande formação de espuma e apresentando aromas complexos com notas cítricas, condimentadas e terrosas. Seu baixo corpo e alta carbonatação torna as Saison cervejas muito refrescantes, porém o teor alcoólico pode variar bastante – as receitas antigas tinham por volta de 3,5%, para poder ser consumida durante um dia de trabalho nos campos, porém hoje existem versões com mais de 8%. Recentemente houve uma febre de Saisons por todo o mundo e, no Brasil, este estilo tornou-se muito apreciado pelas cervejarias brasileiras por sua versatilidade permitir a inclusão de frutas regionais, com resultados bastante interessantes. Alguns rótulos para conhecer: Fantôme Saison, Tupiniquim Saison de Caju, Invicta / 2 Cabeças Saison à Trois.

Lambics

A família Lambic engloba diferentes estilos produzidos através de fermentação espontânea. Ou seja, as cervejas Lambic são fermentadas através da ação de leveduras presentes no ar ao invés de serem inoculadas com variedades selecionadas, como é prática comum nas Ales e Lagers. Por conta disso sua produção é delicada e feita tradicionalmente entre os dias 29 de setembro (Dia de São Miguel) e 23 de abril (Dia de São Jorge), quando as temperaturas estão mais amenas na Bélgica, assim evitando contaminações. O resultado são cervejas efervescentes, de caráter ácido e geralmente trazendo notas aromáticas rústicas que remetem a couro e feno. Por vezes contam com adição de frutas como cerejas (Kriek), são blends de Lambic nova com Lambic envelhecida (Gueuze), ou então tem adição de açúcar (Faro). Independente da variação, todas representam a tradição cervejeira da Bélgica e merecem fazer parte do repertório de quem curte cerveja. Alguns rótulos para conhecer: Lindemans Kriek, Boon Mariage Parfait.

Flanders Red Ale e Oud Bruin

As Flanders Red Ale e Oud Bruin são cervejas tradicionais da região de Flandres. Em sua produção, parte delas passa por extenso envelhecimento – chegando por vezes a 18 meses – em grandes dornas de carvalho, o que contribui com um caráter acético à bebida, lembrando vinagre balsâmico, devido a ação de bactérias. Esta cerveja envelhecida é então misturada com uma parcela de cerveja “nova”, o que equilibra os aromas e gostos do conjunto. Alguns rótulos para conhecer: Rodenbach Classic, Duchesse de Bourgogne, Bacchus Vlaams Oud Bruin.

Além dos estilos descritos acima, a tradição cervejeira belga conta com outros estilos como: Belgian Pale Ale, Strong Golden Ale, Bière Brut.

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Fonte: Mestre Cervejeiro.


Guilherme Cury1401 Posts

29 anos, blogueiro, publicitário e músico. Formado em Propaganda & MKT, é blogueiro há mais de 10 anos. Atualmente trabalha com conteúdo para internet e se aventura no mundo musical.

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