A culpa não é das estrelas

A Culpa Não é das Estrelas

Eu tenho a impressão de que apaixonar-se é uma das sensações mais poderosas do mundo. Fico emocionado quando vejo jovens vivendo a experiência de ter um primeiro amor e a felicidade de amar e ser amado por alguém. Infelizmente alguns jovens são privados desta maravilhosa experiência por um diagnóstico: o câncer.

É muito difícil escutar esta palavra em qualquer idade, mas talvez, quando se é adolescente, seja ainda mais. Não é fácil lidar com as pressões próprias da idade: a escola, o vestibular, os pais, os hormônios… E ainda com uma doença cuja taxa de cura ainda tem o que evoluir no Brasil.

Hazel e Gus, do filme “A culpa é das estrelas”, me emocionaram. Eles são jovens como os que beneficiamos através da organização onde trabalho e passam por difíceis momentos como todos os jovens pacientes com câncer: negação, medo da morte e tantos outros sentimentos que se confundem. Mas acima de tudo, eles nos inspiram.

Para mim, foi como ver um filme dentro de um filme. Sou pai e tive um filho com câncer. Eu e minha esposa Sônia fizemos de tudo para salvá-lo, inclusive buscar tratamento no exterior com a generosidade de muitos amigos e até desconhecidos que se mobilizaram para proporcionar ao Marquinhos uma oportunidade que há 20 anos ainda não existia no Brasil.

Nenhum pai ou mãe está preparado para ver seu filho morrer. Nunca. E este foi o momento mais doloroso que eu e Sônia vivemos. Mas nunca me passou pela cabeça colocar um ponto final na história do meu filho.

Ficamos confusos quando vemos tanta vida em dois pacientes em fase terminal. E a verdade é esta: a batalha não termina quando as esperanças acabam. A batalha só termina quando as pessoas não se importam.

A história do Marquinhos foi o começo de uma trajetória. Uma história que envolve muitas pessoas,  instituições, empresas e transformou a imensa vontade de apoiar outras famílias, numa organização que hoje beneficia anualmente cerca de 30 mil crianças, adolescentes e seus familiares. Para mim é uma honra fazer parte deste trabalho e com alegria dizer que estamos contribuindo para aumentar os índices de cura no Brasil que podem chegar a até 85% em alguns casos.

Quando as pessoas são amadas, elas não são esquecidas. Os personagens Hazel e Gus não serão. O Marquinhos não foi. E a transformação que ele deixou nas pessoas que o conheceram e tantas outras que não, mas que foram influenciadas pela sua história, é o maior legado que alguém pode deixar.

Se você tem um amigo ou parente com câncer terminal, saiba que você é muito importante. E você faz toda a diferença para que ele possa ser feliz, pois você também vai ser responsável por um legado e poderá fazer a diferença para muita gente.

Por Chico Neves, superintendente do Instituto Ronald McDonald, que há 15 anos trabalha pelo aumento do índice de cura do câncer infantojuvenil.


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