Trolltunga também pode ser para “beginners”

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Trolltunga – a língua de Troll, Noruega. Aquele lugar me fascinava e todas as vezes que olhava as fotos dos viajantes no Instagram, eu pensava: quero conhecer! Ao mesmo tempo que me seduzia, aquela paisagem escandinava emanava uma tranquilidade absoluta.

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Mas a dúvida era: como chegar até Trolltunga? Não encontrei muitos blogs que descrevessem detalhadamente sobre este destino – ou ao ler eu que não me dei conta de todos os detalhes. Eu queria escolher alguma agência que nos levasse com segurança e o site mais confiável em que eu poderia acreditar era o próprio da Visit Norway. Lá, eles indicavam a agência Trolltunga Active e antes de ir troquei dezenas de e-mails com várias dúvidas com o solícito e simpático Jostein (que fui depois conhecer pessoalmente, visto que ele próprio era o fundador e guia do hiking naquele dia).

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O valor para fazer a trilha pago foi de NOK 1.100 (1 NOK = R$0,45 aproximadamente). Na primavera – temperatura de 5 a 10 graus – é obrigatório ir com algum guia, eu também não me arriscaria a ir por conta em um local em que só há neve para todo lado e vc não consegue ver bem qual é o caminho que deve seguir, mas encontramos alguns destemidos que encararam sozinhos a trilha e sem os apetrechos/vestimentas corretos.

Todos os itens que a agência descreveu – sem tirar nem pôr – devem ser levados a sério (eu acabei subestimando a listinha). A cidade mais próxima para ficar baseado é Odda. Um simpático e pequeno vilarejo que tem alguns poucos restaurantes e hotéis. Acabamos optando, por uma questão de preço, pelo Odda Camping. Se você é do espírito aventureiro recomendo acampar neste local bem em frente ao lago Sandvevatnet. Pelo que eu constatei há uma modesta estrutura para que você tenha uma estadia confortável.

Eu que até então não tinha aflorado todos os sentidos aventureiros, resolvi alugar com os amigos uma “cabaninha”, que parecia mais um chalé de pousadas pelo interior de Minas Gerais. Ela tinha tudo: sala com mesa e quatro cadeiras, cama confortável, água quente, pia de cozinha, apetrechos de cozinha, frigobar, mesa, tudo bem completo. A água do chuveiro não era abundante, mas dava pro gasto. Levamos lençóis e toalha (já que estávamos vindo também de outros hostels pela Europa). É possível cozinhar tranquilamente se fosse preciso. Nós só fizemos o café da manhã antes da trilha.

Além de seguir à risca o que está escrito no site da agência (e lendo hoje acredito que eles tenham dado uma caprichada melhor na descrição e nos detalhes das dicas – atualizaram também a distância, no qual colocam 2 vezes 11 km). Mas esta quilometragem é só a parte da neve, pois são outros 5 km (ida e volta) só de subida bem elevada para chegar até o início da trilha. Eu destacaria três pontos: 1) treine muita subida antes de ir, de preferência em areia fofa, tipo duna, se possível rs. 2) leve de fato uma garrafa de 1,5L. Eles afirmam que há pontos de abastecimento (corredeiras de rio potável no meio do caminho), mas elas são de 5 a 7 K de distância umas das outras 3) escolha alimentos como banana, castanhas e chocolate. Além de dois sanduíches salgados pelo menos. Você gasta muita caloria e vai precisar ir repondo de forma rápida.

Nós quatro éramos totais principiantes – beginners mesmo. Acho que subestimamos o nível de dificuldade lido e visto nos blogs dos viajantes. Quando li a quantidade que caminharia, pensei: vai ser suave, afinal corro praticamente todos os dias. Andando só o percurso todo? Ah! Consigo. Não. Não é verdade. A subida íngreme na neve com snowshoes (imprescindível para andar na neve e não afundar) é como se fosse uma “morte lenta” rs. As coxas queimam muito e a dificuldade de subir somada à alta altitude fazem vc querer desistir logo na primeira elevação. E são pelo menos umas cinco pela frente – na ida -, não se esqueça que tem a volta toda.

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Como éramos MUITO inexperientes acabávamos sempre ficando por último. E nas horas das paradas (foram três na ida e três na volta), tínhamos menos tempo que os demais para comer, beber água, fazer xixi (sim! Mas atrás das rochas, encontre uma para chamar de sua! E leve papel higiênico e um saco plástico para não deixar nenhum descarte) e descansar. Mesmo o guia nos pedindo para irmos em primeiro, chegava na subida, o grupo sempre ultrapassava-nos. Há uma certa pressão psicológica – para você iniciante – que é acompanhar o ritmo de todos os integrantes do grupo. Mas esta cobrança é válida uma vez que o grupo precisa estar unido porque há horário certo para ir atingindo determinados quilômetros uma vez que pode escurecer. No nosso grupo, três meninas desistiram logo no início, antes de entrar na parte da neve. E outras três quando estávamos com uns 4K de distância percorridos.

Nós? Bom, nossos amigos estavam aparentemente bem, eles disseram que o fato de caminhar muito em Dublin (onde moram) ajudou bastante. Eu sofri muito nas subidas e o guia me ajudou bastante em mostrar que conseguia – uma vez que estava caminhando e conversando com ele ao mesmo tempo – e que o controle estava na mente, pois meu corpo estava correspondendo ao desafio. Já meu marido sofreu muito com as cãibras (cramps, em inglês, pode ser útil para vc no meio da trilha lembrar deste vocabulário), o que o fez pensar duas vezes em desistir. Mas ainda bem que prosseguiu mesmo com dor. A sorte que eu tinha um Tylenol na mochila…

Sobre as roupas, eu acho que é suficiente vc ir com uma calça e tênis à prova d’água, blusa de malha térmica e um casaco à prova d’água também. Ele não precisa ser grosso, um corta-vento já está suficiente, pelo menos para a temperatura que pegamos. Eu levei cachecol, fui de meia calça térmica embaixo da calça waterproof, levei uma blusa de fleece, tudo desnecessário. Dois pares de meia são bem úteis, a não ser que seu tênis seja realmente resistente à água. O meu Timberland acabou molhando, então trocar de meia foi reconfortante antes de enfrentar a volta. Óculos de sol são fundamentais porque o reflexo da neve é muito intenso. Leve câmera práticas e se possível leve, tipo uma GoPro. Sobre a mochila, fomos com uma nada própria, mas deu certo porque a agência emprestou um pedaço de corda para amarrarmos o snowshoes. O ideal é vc ir com aquela que tem uns elásticos na lateral para colocar este apetrecho. Luvas são boas se não forem muito quentes, como vc usa os sticks pode acabar machucando a parte da mão entre o polegar e o indicador. Mas eu fui sem e fiquei numa boa. Protetor solar é outro item obrigatório.

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E como é chegar lá? Na pontinha da língua? Vc chega bem desgastado ao pico. Seu corpo só quer se jogar na pedra e comer. Mas vc ainda tem que arranjar forças e deixar o medo de lado para ir até a própria Trolltunga. Ela não é estreita, tem cerca de 3 metros, mas para descer até ela pode ser um pouco escorregadia. E aí é preciso tomar muito cuidado, porque qualquer escorregão é fatal. Como nosso grupo tinha umas 30 pessoas e pra variar chegamos por último não foi tranquilo ir até lá para tirar a foto. Deu tempo para fazer várias fotos nossas e do casal de amigos, mas fomos em dupla. Logo em seguida já era hora de retornar.

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Mais 14km nos esperavam. O que era descida na ida seria subida e vice-versa. Mas parece que o retorno foi bem mais fácil, mesmo porque na reta final desencanamos e fomos escorregando mesmo, pois a cada passo que dávamos na descida acabávamos caindo. Então, no chão pelo chão, tornamo-nos crianças e descemos de ski bunda.

Completamos a aventura em 11 horas e 30 minutos. Se faríamos de novo? Se passaríamos pelo “sofrimento” novamente? Hoje, pensamos até em ir novamente. Claro, que muito melhor preparados com estas dicas acima. E não digo isso “apenas” pela paisagem. Mas pela trajetória em si. Você entra em contato com o seu eu-limite físico e emocional que dificilmente teria a oportunidade de. E você realmente entende que a sua mente domina o restante. E acreditar que pode foi o melhor aprendizado disso tudo.

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Sim, o hiking Trolltunga pode sim ser para begginners.

Colaboração: Larissa Shiraishi@alltraveltips.


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