Uma cura simples para a preguiça: A técnica de Pomodoro

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Quem nunca experimentou um sentimento de inquietude na vida? Uma agitação interna, um furdunço ansioso no cérebro… Esse tipo de insatisfação silenciosa é uma das grandes mazelas do nosso tempo e possui muitas causas diferentes.

Desde a velocidade assombrosa com que a informação se move frente à lentidão da vida real, até o nosso distanciamento da natureza de dos seus valores mais puros, passando pela avalanche de opções em todos os segmentos da vida, a insatisfação parece permear tudo.

Existe outra causa bem óbvia para a inquietude: o infinito número de distrações que constantemente dragam sua atenção, correndo seu foco e impedindo você de se concentrar nas tarefas que devem ser cumpridas. Apesar de muitas causas estarem além do seu controle, ESTA causa você pode resolver, bastando para tanto um pouco de boa vontade e a adoção de uma filosofia bem simples: trabalhe estiver trabalhando, brinque quando estiver brincando.

FAÇA UMA COISA POR VEZ

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A sensação de inquietude ocorre quando misturamos lazer com trabalho e vice versa. A incapacidade de manter estas atividades separadas consome a percepção de prazer do lazer e a eficácia do trabalho.

Quando você brinca durante o trabalho – por exemplo, fuçando a internet ou checando sua linha do tempo no facebook a cada 5 minutos -, você não curte de verdade o que está fazendo e tende a se punir com desapontamento por estar se distraindo desse jeito. Simultaneamente, a qualidade do seu trabalho cai pela falta de concentração e o dia passa voando sem que você consiga dar conta do que precisava.

Mais tarde, já em casa, quando você decide relaxar – digamos, sair com os amigos ou dar uma volta de bicicleta -, você não aprecia a experiência como um todo. Tem uma voz na sua mente que fica enchendo o saco, dizendo: “você devia ter terminado aquele relatório” ou “você devia ter respondido aquele email”. Uma parte de você se sente culpada como se não merecesse aquele descanso totalmente, e então tome tentar recuperar o tempo perdido enviando o trabalho não concluído na hora que você deveria estar descansando.

Ao brincar durante o trabalho e trabalhar durante a brincadeira, você sabota a satisfação e as recompensas de ambas atividades, e extrai menos da vida. O resultado é um sentimento de incerteza sobre estar no caminho certo que termina em um beco de insatisfação.

SEPARE O TRABALHO E O LAZER PARA APROVEITAR O MÁXIMO DE AMBOS

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A melhor maneira de separar o trabalho do lazer é criar propositadamente momentos de lazer durante seu horário de trabalho. O problema não está em alternar trabalho com brincadeira, mas o fato de que você faz isso erraticamente, indo na maré. Quando quer que apareça uma distração, qualquer distração que seja, você se deixa levar. Todas as vezes. Estas interrupções quebram seu processo de raciocínio e fazem com que coisas simples levem uma eternidade para serem feitas.

A solução é planejar de modo intencional intervalos de lazer dentro do seu horário de trabalho. Obrigue-se a trabalhar sem intervalo por um certo período de tempo, faça uma pausa de alguns minutos, e então retome o ciclo. É mais fácil manter o foco quando você sabe que sua sessão de mula de carga não será interminável e que você sabe exatamente quando e por quanto tempo terá uma folga – que poderá ser plenamente curtida, sabendo que você fez por merecê-la.

Esta é a beleza e a sabedoria por trás da Técnica de Pomodoro, uma tática de gerenciamento de tempo desenvolvido por Francesco Cirillo no final dos anos 1980. O método consiste em trabalhar sem parar por 25 minutos, fazer um intervalo de 3-5 minutos, e repetir a sequência. Depois de 4 voltas nesse circuito, você pode fazer uma pausa maior de 15-30 minutos. É óbvio que os intervalos devem ser construídos de acordo com a sua realidade, mas você entendeu o conceito.

Outra coisa que ajuda bastante é manter uma “lista de distrações”. Sempre que alguma coisa passar pela sua cabeça durante a sessão de trabalho (p.ex.: o nome de um amigo para quem você tem que mandar um zap, ou algum assunto sobre o qual você quer ler mais, etc), ao invés de interromper sua pegada, anote imediatamente a informação na sua “lista de distrações” e volte com foco total à tarefa que estava fazendo antes. Assim que chegar o momento do intervalo, você poderá resolver o que anotou. Você irá ficar surpreso com o número de coisas que pareceram urgentes num determinado momento e puderam esperar com segurança meia hora para serem resolvidas.

Utilize suas Pausas de Pomodoro também para dar uma volta, andar um pouco, bater um papo, navegar na internet, trocar mensagens no celular, tomar um café, comer um lanche, tirar um cochilo, organizar sua gaveta, ler um livro ou uma revista. As opções são inúmeras.

Se você trabalha em casa, as pausas podem ser utilizadas para aquelas pequenas tarefas domésticas que estão esperando para sempre. Lave um copo, coloque a roupa na máquina de lavar, troque uma lâmpada, jogue o lixo fora… Quando o trabalho real terminar, você terá curtido as pausas e descobrirá que várias coisas que aguardavam sua presença foram resolvidas pelo Gnomo de Pomodoro.

Um das coisas mais difíceis na técnica proposta por Cirilo é não tornar os intervalos demasiadamente divertidos, com o risco de esticar o tempo na pausa para além do programado. Durante as pausas, não faça coisas que causem excesso de distração. Por exemplo: se você sabe que terá dificuldade em largar a leitura de um determinado livro ou antes de conferir todos dos duzentos comentários naquele grupo de Whatsapp, não insira esta tarefa no seu intervalo de 5 minutos. Guarde-a para mais tarde.

Não há problema algum em seguir com o trabalho e pular um intervalo, caso o trabalho esteja em um ritmo bom ou você tenha sido fisgado por ele. Não se force a uma pausa. Aproveite o veio de entusiasmo e siga em frente até quando achar que aguenta. Se fizer uma pausa e, antes dela acabar, achar que deve retomar seu serviço, faça isso sem piscar os olhos. As pausas são um refresco APENAS se você achar necessário.

O grande lance da técnica de Pomodoro é torná-la flexível, adaptando-a à sua realidade e ao seu ritmo. Saiba que as distrações não programadas fatalmente irão ocorrer – ligações relacionadas à sua atividade, reuniões, intercorrências urgentes, etc. Faça o melhor possível para resolver estas questões e retome seu trabalho, cuidando para que as sessões trabalhando sejam longas e produtivas.

UM LUGAR PARA CADA COISA, CADA COISA EM SEU LUGAR

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A abordagem de trabalho-pausas programadas são excelentes para aprender a gerenciar seu tempo e priorizar as distrações. O trabalho rende e as pausas são bem aproveitadas, sem que você comprometa seu rendimento ou perca-se em sentimentos desnecessários de culpa.

Trabalhe quando estiver trabalhando, divirta-se quando estiver se divertindo – e seu dia será pleno em realizações e contentamento.

Que tal tentar?

Colaboração: Alessandro Loila.


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