O novo comportamento do consumidor de música digital

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É oficial: globalmente, estamos comprando menos música digital. Assim como aconteceu com o vinyl, cassete e CD anteriormente, parece que as vendas de músicas digitais já atingiram seu pico e, comparando com as vendas do ano passado, já nota-se uma queda de 4% nas vendas.

De acordo com a Billboard, na primeira metade de 2013, foram compradas entre 25 a 30 milhões de faixas digitais POR SEMANA. Pouco depois, entre Outubro e Novembro, esse número ficou abaixo dos 20 milhões.

MAS DE QUEM É A CULPA?

O culpado? Bem, a indústria tem apontado o dedo para o Spotify, famoso modelo de streaming de música mundial para smartphones, tablets e desktop, que inclusive está para liberar seus serviços no Brasil a qualquer momento. Por aqui, o player mais forte de streaming talvez seja o ótimo Rdio, do qual sou usuário e recomendo bastante. O Deezer também tem começado a fazer barulho por aqui.

Assim como já houve muitos artistas que eram contra o modelo que a Apple sempre praticou no iTunes, tem surgido um forte movimento contra o modelo de streaming praticado pelo Spotify. Essa polêmica se acentuou quando Thom Yorke e seu produtor Nigel Godrich resolveram retirar do Spotify o álbum do Atoms For Peace, projeto paralelo do próprio Yorke, junto com o Flea dos Chili Peppers, Mauro Refosco e Joey Waronker.

MAIS MUDANÇAS. DE NOVO

Eles alegaram que o modelo de streaming do Spotify não compensa para novos artistas e sim para grande gravadoras e artistas que estão no mercado há mais tempo, pois o modelo só começa a valer a pena monetariamente quando você já tem vários trabalhos lançados ao longo de uma carreira, ou seja, o catálogo retroativo. Para artistas novos, aparentemente vale mais a pena seguir vendendo música digital do que disponibilizar novos trabalhos via streaming no Spotify.

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O problema é que para nós, usuários, sai muito mais barato assinar um serviço de streaming a comprar uma música digital. Aqui no Brasil, a assinatura familiar do Rdio, que inclui duas pessoas com acesso Web e Móvel, podendo inclusive baixar álbuns pra ouvir offline, sai por volta de 22 reais. Por esse valor, você compraria somente 1 álbum via iTunes.

 

STREAMING TEM A VER COM DESAPEGO

No entanto, quando você assina um serviço de streaming de música, você deixa de ser dono das músicas, já que teoricamente você está pagando para alugar aqueles arquivos. Se deixar de pagar, logicamente as músicas baixadas dentro do app, não irão mais funcionar. Streaming tem a ver com desapego. Já no iTunes, quando você compra músicas, elas são suas para sempre.

Isso significa que comprar música ou filme digitalmente está chegando ao fim? Bem, talvez. Olhe por exemplo para a indústria de cinema e o “estrago” que a Netflix vem fazendo com seu modelo de streaming de filmes e séries. Sempre fui comprador de DVDs e Blu-Rays. Mas, depois que assinei o Netflix, diminui bastante meu volume de aquisições, praticamente comprando só shows.

Sem falar, é claro, em Sony e Microsoft que, no próximo ano, passarão a oferecer serviços de streaming de seus games. Como o modelo vai funcionar para os desenvolvedores ainda não se sabe. Mas é algo que provavelmente também irá gerar uma certa discussão.

BOAS NOVAS NO HORIZONTE

Voltando ao streaming de música, o Spotify, percebendo que a polêmica em torno do seu modelo de negócios vem crescendo, lançou há algumas semanas, uma página onde mostra com detalhes como funciona sua política de royalties e anunciou também novas funcionalidades que irão beneficiar novos artistas: um serviço de analytics para que músicos possam acompanhar o número de pessoas ouvindo suas músicas via streaming.

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Além disso, também deve ser disponibilizado um sistema que vai permitir que esses artistas vendam ingressos para shows e façam merchandising dentro do próprio Spotify, o que pode ser interessante, tendo em vista a enorme base de usuários que o serviço possui, que gira em torno de 6 milhões de assinantes. Há poucos dias, o serviço anunciou a disponibilidade do catálogo de álbuns do Led Zeppelin, que até então, era comercializado somente via iTunes e mídia física.

O certo é que nada mais será definitivo ou tão duradouro como antes. O intervalo entre as mudanças proporcionadas pela tecnologia, que sempre impactam de uma forma ou de outra no business dessas empresas, será cada vez mais rápido.

Pra finalizar, cabe aqui uma ótima frase de Albert Einstein: “Não são os mais fortes da espécie que sobrevivem, nem os mais inteligentes, mas os que se adaptam melhor às mudanças”. E você, o que acha disso tudo? Let’s talk!


Rodrigo Cunha96 Posts

Publicitário, geek, louco por cinema, música, games, livros e boas idéias nas horas vagas e não vagas. Tem medo de fazer compras em NY e beber num PUB de Londres e nunca mais voltar.

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