Bate-papo com uma Suicide Girl

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Chamei uma Suicide Girl para conversar e descobrir como é a vida destas pin-ups modernas, que usam e abusam de tatuagens, piercings, cabelos coloridos e olhares tão malvados quanto sedutores. Meu encontro com a Cau – ou Claudinha, que ela odeia – foi em um bar no Tatuapé. Me atrasei 10 minutos e ela já estava lá me esperando. Tomo um choque. Esperava um mulherão radical, uma “femme fatale”, mas o que encontro é uma belíssima menina de 22 anos, meiga, curiosa e cheia de inseguranças como toda mulher.

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É a forma como a simpática Claudia se transforma na sedutora Cau diante das câmeras que dita o segredo do seu sucesso. Desde novembro do ano passado como Suicide Girl, ela tem mais de 13 mil fiéis seguidores no Instagram. Peço um teste de popularidade, ela posta uma foto e, em uma hora, já são mais de 400 curtidas. Não são números astronômicos frente ao de outras Suicides mais antigas, mas diante do pouco tempo desta nova vida, Cau já colhe os frutos do sucesso.

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A forma de remuneração das meninas vem do site suicidegirls.com. As modelos interessadas em entrar no portal entram em negociações com as duas “recruters”, Jaqueline e Kasha – ou são achadas por elas. A partir disso, um book de 30 a 60 fotos é enviado para elas e o site pode comprar ou não o ensaio. As fotos são de lingerie, roupa e nu. Não há um nu obrigatório, mais ou menos explícito, isso depende da modelo.

Estando no site, é hora de ganhar as redes sociais para ficar conhecida e gerar curiosidade para que a venda de um novo ensaio seja concretizada depois. É nesse ponto que as meninas inundam o Instagram e o Facebook com fotos sensuais, o que chama muitas curtidas, compartilhamentos, regrams, sorrisos e onanismo.

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Mesmo com o início que parece arrebatador entre as Suicide Girls, Cau demorou a fazer parte do casting.

“Eu já queria ser SG desde os 16 anos, mas não podia por causa da idade. Depois, alguns namorados ciumentos adiaram esse sonho. Agora nada mais interrompe isso. Eu fico muito feliz quando vejo minhas fotos no site”.

Vinda de uma família que, segundo ela mesma, é muito liberal, Cau sempre foi rebelde. Fez tatuagem aos 16 anos meio que escondida, já teve 18 piercings espalhados pelo corpo e até já foi tatuadora, trabalho barrado pelo perfeccionismo. “Eu não estudava muito as técnicas de tatuagem e ao mesmo queria que tudo saísse perfeito. Isso me agoniava, então decidi parar”.

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Quanto às fotos nuas, Cau adora. “É libertador fazer um nu. Essa minha rebeldia era uma forma de esconder minha insegurança. O nu não esconde nada e, por causa dele, estou cada vez mais confortável e segura”.

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Com o dinheiro recebido com a nudez terapêutica, Cau quer fazer um curso de gastronomia, carreira que pretende seguir com a abertura de um restaurante no futuro. Essa profissão, que merece muita dedicação e humildade, contrasta com o visual dela. Estilo esse que esconde a verdadeira alma da modelo, que gosta de dormir, não curte balada e prefere ficar em casa comendo besteiras e vendo Netflix. “Sempre quando me perguntam se não vou fazer nada hoje, repondo se Deus quiser”, ri Cau, com um sorriso perfeito que deveria, sim, desfilar mais pelas ruas, para admiração dos homens.

Créditos das fotos: Talita Alencar, Marcus Steinmeyer (Projeto GirlzPlayGround) e Nelson Alves Jr.


Diego Ortiz1 Posts

36 anos, jornalista e lutador de Muay Thai. Pós graduado em marketing, escreve profissionalmente sobre carros e motos há 13 anos, mas sempre encontra tempo para falar de tattoos, artes marciais, games e rock & roll.

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